sábado, 12 de agosto de 2017

Eu preciso, original em 30/01/1989

Num aconchegante café, eu me fiz essa simples pergunta: - O que eu preciso ?/

Meu poema: Eu preciso, com *duas sugestões de um ser humano especial, de outro planeta, a N.V.


Eu preciso respeitar os sinais enviados pelo universo
Eu preciso curtir mais os pequenos prazeres da vida
*Eu preciso ter mais coragem 
Eu preciso de música
Eu preciso de sol
Eu preciso de vida
Eu preciso de cores
Eu preciso de carinho
Eu preciso de você
Eu preciso aprender mais com o meu filho
Eu preciso sonhar mais

Eu preciso de mais amor
Eu preciso de mais encontros verdadeiros
Eu preciso de acolhimento
Eu preciso de respeito
Eu preciso errar mais
Eu preciso de menos opiniões alheias
Eu preciso segurar melhor as rédeas da minha vida
Eu preciso ouvir muito e falar pouco
Eu preciso de uma viagem interior
Eu preciso ouvir atentamente o silêncio
E finalmente eu preciso sorrir e * sorrir ainda mais...

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Cordas

Por um mundo repleto de Marias

Mais uma homenagem a Maria Villar Galaz, uma amiga e uma sobrinha muito especial  <3 br="">


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Esse vídeo é genial !
 
https://www.youtube.com/watch?v=QUhmfeR9OZc

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Onde colocar o sal

ONDE COLOCAR O SAL
“O velho Mestre pediu a um jovem triste que colocasse uma mão cheia de sal em um copo d'água e bebesse.
Qual é o gosto? - perguntou o Mestre.
Ruim - disse o aprendiz.
O Mestre sorriu e pediu ao jovem que pegasse outra mão cheia de sal e levasse a um lago.
Os dois caminharam em silêncio e o jovem jogou o sal no lago.
Então o velho disse: - Beba um pouco dessa água.
Enquanto a água escorria do queixo do jovem o Mestre perguntou: - Qual é o gosto?
- Bom! Disse o rapaz.
- Você sente o gosto do sal? Perguntou o Mestre.
- Não… - disse o jovem.
O Mestre então, sentou ao lado do jovem, pegou em suas mãos e disse:
- A dor na vida de uma pessoa não muda. Mas o sabor da dor depende de onde a colocamos.
Quando você sentir dor, a única coisa que você deve fazer é aumentar o sentido de tudo o que está a sua volta.
É dar mais valor ao que você tem, do que ao que você perdeu.
Em outras palavras: É deixar de Ser copo para tornar-se um Lago. 
Somos o que fazemos, mas somos principalmente, o que fazemos para mudar o que somos… ”
Fonte Eneida Fausto via Facebook

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Cássio Zanatta - Joaninha no Hospital - The São Paulo Times


Joaninha no hospital

Internado no hospital para uma pulsoterapia. O nome dá aquela assustada mas a coisa é tranquila: três horas de cortisona na veia. Tudo a fazer é esticar o braço, o pessoal da enfermagem punciona a veia e daí é ficar deitado e deixar a medicação pingar devagar. E devagar é comigo mesmo.
Nada para fazer tem seu valor. A parte chata: assim que a gente cochila, vem alguém e acorda para algum procedimento. E a ausência de janela. A parte boa: todo o tempo do mundo para ler Manoel de Barros. Poucas coisas no mundo são tão contraditórias quanto sala de hospital e página de Manoel (olha a intimidade). Um pede silêncio, o outro grita; um tenta conter a gente, o outro, desconter de vez.
Entre uma tomada de pressão e outra de glicemia, leio um poema para a enfermeira, moça séria de competência e comportamento. Ela ouve muito da atenta e põe a mão no queixo, deixando escapar um “mas, olha, que coisa…”
Recebida a poesia, ela se transforma, acende, sai pelo corredor matraqueando e rindo de boba. Recita para outra enfermeira um verso que fala de joaninha. Diz à colega que adora quando uma delas aparece – e eu fico pensando que joaninha só entra em hospital pela poesia. Eis Manoel de Barros, ignorando crachás, pulando as catracas e driblando os seguranças.
Há cinco pessoas internadas na minha sala. Duas senhorinhas meio caladas, um senhor que não tira o olho da TV, eu e Manoel de Barros. O poeta é quem mais fala, fala pelos cotovelos, canta a enfermeira, batuca na maca, fala de joaninha e de pisar no barro. Se joaninha está proibida em hospital, barro, então, é motivo de sirene e camisa de força.
Uma das senhoras assobia um antigo bolero. A outra olha feio para ela, como se o olhar dissesse: endoidou, assobiar em hospital?
A outra olha de volta como se respondesse: justo por isso, assobiar me faz sair voando pela janela que não existe, de volta ao baile de Reveillon em 1956, onde dancei bolero com Ademir pela primeira vez. É possível que tenha sido efeito de joaninha de que falava Manoel, as coisas são muito impressionantes nesse mundo.
O pinga-pinga está acabando. Só mais um tempo para reparar na cor da parede. Sou do tempo em que hospital era todo branco. Agora, é de um verde meio desanimado, envergonhado, como se aquele não fosse lugar de cor estar. Se joaninha fosse toda branca com patas brancas e bolinhas brancas, deixariam a bichinha entrar?
Vou largar esse livro na cozinha do hospital, como quem esqueceu. Não se ofenda, Manoel, não é pouco caso, é semeadura.
Para ver se o cozinheiro se rende, tem compaixão dos internos e lasca sal nesse peixe, salpica umas alcaparras, quem sabe até molho de camarão e uma pimentinha para dar graça.
Talvez o paciente não resista aos excessos e morra – é possível, tudo nessa vida é possível. Mas Manoel de Barros está aí para provar que a morte não pode tudo, nem em hospital. Contra poesia, joaninha, pimenta e o iluminar da enfermeira que continua a rir na sala ao lado, a morte pode nadica de nada. E não respira nem com a ajuda de aparelhos.
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Cássio Zanatta é natural de São José do Rio Pardo, o que explica muita coisa. Escreve crônicas há um bom tempo – convenhamos, já estava na hora de aprender. © 2014.